96 ANOS LÚCIDOS

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» Quase um centenário, seu Zé Dias tem orgulho de saber viver e não dispensa uma boa moqueca capixaba com pimenta e farinha

Seu Zé Dias tem muita história para contar. O quase centenário chegou em Nova Venécia na década de 40, quando o local ainda era conhecido como Barracão. De suas mãos, escolas em Cristalino e Vila Pavão tiveram os telhados construídos e a profissão, foi o que sustentou a família e os sete filhos


» Seu Zé Dias completou 96 anos no último domingo, ao lado da famíliaContar boas histórias e fazer um jornalismo de entretenimento é um diferencial para um jornalista. Mesmo que as notícias ruins são as mais lidas pela população, as narrativas interessantes de contar, são as minhas preferidas. Hoje está sendo mostrada um pouco da vida do seu José Dias, que no último domingo (28), completou 96 anos.

A reunião da comemoração do aniversário do senhor que saiu de Sergipe e veio morar em Nova Venécia aos 22 anos, foi junto a família. Casado com Clarice Batista (in memória), Zé Dias tem sete filhos, 30 netos, 22 bisnetos e três tataranetos.

O maior orgulho do homem que pouco estudou, é ter construído suas duas casas e ainda possuir uma reserva guardada, tudo vindo do suor do seu trabalho. “Quando eu morrer, cada um dos meus filhos ficará com pouco, apesar de estarem todos criados, não ficarão desamparados”, diz.

Antes de chegar a Nova Venécia, Zé dias morou alguns anos na Bahia e trabalhou em fazendas na produção de cacau. Sozinho, ao chegar aqui, teve a coragem de montar seu próprio negócio, tendo como sócio o dono de uma pensão que existia próximo onde hoje funciona a delegacia. “O nome dele era Vitório Teixeira, cheguei aqui durante a Segunda Guerra Mundial, era tudo muito difícil, montamos uma cerâmica, que era onde eu fabricava as telhas, daquelas tipo umas cumbuquinhas”, conta.

Mostrando que viu e ajudou o Município crescer, o quase centenário também foi levado para o interior. Em Cristalino ajudou a fazer as telhas na construção da primeira escola de lá, depois fez o mesmo serviço em Vila Pavão. “Quem me levou para trabalhar nesses locais foi seu Romeu Cardoso. No início eu ia e voltava a pé de Cristalino. Depois passei a morar lá mesmo”, revela.

E foi em Cristalino que seu Zé Dias conheceu a esposa, teve filhos, mas depois retornou para a sede veneciana, onde mora há 30 anos, no bairro Bonfim. “Eu já trabalhei muito, sofri demais, nunca tive nada de graça, e nem carteira assinada. Agradeço a todas as pessoas para quem trabalhei. Depois de aposentado eu ainda fiz 750 mil tijolos para o Manula e Jesus Lubiana, força de vontade sempre tive”, diz.

Com quase 100 anos, seu Zé Dias é um exemplo por onde mora. Não tem nenhum problema de saúde, não toma qualquer medicação, e nem usa óculos, prova disso é a leitura todos os dias da Bíblia, ele é da Igreja Adventista.

Quando perguntado qual é a receita para tanta vitalidade, ele responde categórico: “Viver é saber; morrer é descuido”. Nas refeições, farinha, arroz, feijão e carne, não podem faltar, mas é a moqueca capixaba, o prato preferido do homem que apresenta brilho nos olhos e alegria de viver.

Lúcido, com datas e nomes afiados na memória, seu Zé aproveita a época política em que o país está vivendo e lembra da primeira vez que votou. “Foi no Getúlio Vargas, do Partido Social Democrático (PSD). O outro candidato era o Brigadeiro Eduardo Gomes, que era da União Democrática Nacional (UDN), eu lembro as siglas e tudo, era em 1945”, revela.

Na varanda de casa, numa cadeira de balanço, seu Zé Dias ainda contou muitas mudanças que viu Nova Venécia passar, e revela que ainda terá muitas histórias para narrar, tendo a certeza de que, envelhecer é colecionar lembranças, sempre com o sorriso estampado no rosto, uma de suas marcas. Durante a conversa, o morador do bairro Bonfim mostrou que se emociona em cada “causo” que conta, sempre com o riso farto, e a paixão desmedida pela vida. Parabéns seu Zé, parabéns pelos seus 96 anos!

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