A FORÇA DA MULHER SOBRE DUAS RODAS

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jhonRayana Schneider saiu de Nova Venécia no dia 18 de janeiro e retornou ao município no dia 1° de fevereiro

Essa foi a viagem mais longa da vida de Rayana sobre duas rodas
Essa foi a viagem mais longa da vida de Rayana sobre duas rodas

Foram 15 dias sobre uma Yamaha MT 07, percorrendo 5.150 quilômetros, passando por seis estados, diversos municípios e realizando um sonho: a aventura de conhecer o Brasil sobre duas rodas.
Com o roteiro de conhecer Brasília e Foz do Iguaçu, a engenheira elétrica veneciana, Rayana Schneider, de 30 anos, saiu de Nova Venécia no dia 18 de janeiro, às 6h, com o primeiro destino sendo a capital do País. “Eu queria fazer uma viagem longa há meses e esse sonho ganhava mais força à medida que eu lia reportagens sobre motociclistas que iam a Ushuaia, ao Atacama ou viajavam o planeta, então em janeiro decidi realizar o sonho com minha moto”, afirmou.
Para chegar a Brasília, Rayana percorreu 1.200 quilômetros em dois dias. De acordo com ela, foram 767 quilômetros no primeiro dia, até chegar à cidade mineira de Três Marias, onde ela dormiu, e mais 450 quilômetros até a capital federal. Neste percurso, ela viveu um misto de serras e planícies e foi agraciada com as belas paisagens. “O asfalto entre Governador Valadares e Serro têm muitas serras e curvas, o que não permitiu que a viagem nesse trecho rendesse. Depois de Serro, as paisagens compensam muito. A região fica próxima à Diamantina e as formações rochosas à beira da estrada são fantásticas. Diferente do que vemos aqui no Espírito Santo, onde as pedras são abauladas e lisas, as dessa região são picotadas e quadradas. Da entrada de Presidente Kubitschek até Curvelo, a estrada é excelente. Parte dela compõe a estrada real e o que vemos são paisagens lindas por todo o caminho. Além disso, tive a grata surpresa de ver uma usina eólica à beira da estrada. Nem acreditei quando vi. Eu havia estudado sobre aqueles imensos cata-ventos no curso de engenharia elétrica, mas nunca tinha visto, nem de longe, um. Na estrada de Curvelo a Três Marias, pude desenvolver uma velocidade maior e consegui cumprir o planejado. Cheguei a Três Marias às 18h20 e andei 767 quilômetros nesse dia. A cidade tem um represamento do São Francisco enorme e lindo, que pude ver assim que cheguei. O segundo dia foi tranquilo, pois eram apenas 450 quilômetros e a BR 040 é muito boa. A paisagem em Goiás é toda plana e verde, de modo que você consegue ver a chuva caindo muito longe”, disse Rayana.
Em Brasília, Rayana foi recebida pela motociclista Patrícia, do grupo MC Athos II. “Conheci ela em um grupo de mulheres motociclistas do Facebook. Ela me levou ao hotel e nos outros dias me apresentou a cidade e diversas pessoas. O motociclismo é muito forte em Brasília e isso foi um suporte para mim”, frisou.
Durante seis dias na capital, a engenheira participou de um concurso público do Instituto Federal de Brasília (IFB), passeou pela cidade, atravessei a famosa ponte JK, visitou o memorial, a catedral, o estádio Mané Garrincha, a Praça dos Três Poderes, a Torre de TV, dentre outras obras de arte da arquitetura. “Fiz diversos amigos e comi o famoso pequi”, contou.
Rayana saiu de Brasília com destino a Foz do Iguaçu no dia 25 de janeiro. Esta foi a parte do percurso que ela considerou mais difícil, já que sua moto, por se tratar de uma naked sem bolha ou carenagens, não é tão confortável quanto uma big trail. “Ao atravessar São Paulo, peguei uma tempestade forte. Imagine: você em uma reta, à sua frente, raios caindo, nuvens cinzas e você indo em direção a elas. Ao redor, só mato e nada mais. A cidade anterior já estava longe, então não dava para voltar. Os carros no sentido oposto piscavam o farol indicando a criticidade da situação. A sensação é bem intimidante (risos). Eu segui e a chuva começou. Os raios caiam ao meu redor, mas eles não me preocupavam. O problema era o vento. Minha mente só via uma saída caso começasse um vento forte: parar a moto bem longe de qualquer árvore, deitar ela no mato, me deitar no chão para não chamar a atenção de um raio e esperar passar a tempestade. Para minha sorte, ou proteção, a tempestade era uma grande nuvem e alguns quilômetros à frente, o tempo já estava limpo”.
Ela contou que conhecer o Paraná sempre foi um desejo seu por motivos familiares. “O Paraná era um desejo antigo meu, pois remonta minha família materna e por isso fiz questão de passar por Assis Chateaubriand, cidade natal da minha mãe. Eu esperava ver muito alemão, mas quase não vi esses descendentes. O que vi foi uma terra onde o barro é bem avermelhado e há muita plantação de soja, além de pedágios altos. Em um dia de viagem cheguei a gastar R$ 40,00 só com pedágios no Paraná”, frisou.
Em Foz do Iguaçu, a engenheira ficou durante três dias, onde conheceu as cataratas pelo lado argentino e a Usina de Itaipu. “As cataratas são de uma exuberância indescritível e a Hidrelétrica de Itaipu – a pedra que canta – é maravilhosa. Uma verdadeira obra de arte da engenharia. Devo ressaltar a recepção e o tratamento dados ao turista em Itaipu. São excepcionais. Fiz o passeio completo pela Usina e depois fui passear no último horário do Kattamaram, para apreciar o pôr-do-sol”.
Após a realização dos sonhos, Rayana retornou para Nova Venécia, realizando o percurso de 2.081 quilômetros em dois dias e meio. No primeiro dia, foram 815 quilômetros de Foz do Iguaçu até Borborema (SP). No outro dia, foram percorridos mais 807 quilômetros, atravessando São Paulo e Minas Gerais, indo até Itabira.
No trecho do segundo dia, ela ressaltou as belezas da região e o trânsito intenso de Belo Horizonte. “É uma região que atravessa o Parque da Serra da Canastra e Furnas. Nele, o Rio Grande, com seu azul turquesa, margeia o asfalto proporcionando paisagens de tirar o fôlego. Esse dia foi também o mais cansativo, pois atravessei a capital mineira, famosa pelo seu intenso trânsito, no horário de pico, às 17h20, o que me exigiu muita atenção e foco”, frisou.
Por fim, no dia 1° de fevereiro, Rayana chegou a Nova Venécia após o almoço, depois de percorrer mais 459 quilômetros.
Durante a aventura, a veneciana disse que tirado um grande aprendizado de tudo. “Sempre leve dois pares de luva, sendo uma de verão e outra de inverno, e de botas, caso a sua não seja impermeável, pois se em um dia de viagem, uma molhar e não der tempo de secar no hotel, você viajará com a seca no dia seguinte. Um apoio de mão para o acelerador também ajuda muito. A bolha também é um item que deve melhorar a velocidade de cruzeiro em pistas excelentes, como a BR 040, mas não vou colocar na minha moto por questão de gosto mesmo (risos). O máximo que andei em um dia foram 815 quilômetros, sem me cansar muito. Percebo que o desenvolvimento da viagem depende mais de dois fatores: da estrada (boa, ruim, retas, curvas, radares), e do tempo (tempestade, chuva, sol, névoa). Não depende tanto da moto ou do piloto quanto eu imaginava, então vá ao seu tempo e ande quando der para andar”, disse Rayana.
No início, ela disse que foi difícil planejar tudo e que o mundo nas estradas não é como todos pensam. “Havia muitas dúvidas sobre planejamento, quanto eu conseguiria rodar em um dia, o que levar, quanto levar. Algumas coisas eu acertei, outras aprendi. Existia ainda outro ponto: sou mulher e fui sozinha. Muita gente, em especial as próprias mulheres, me chamavam de doida ou corajosa (risos). Posso afirmar que existe muita gente boa nesse mundo e se eu fosse dar ouvidos ao que noticiam, eu nem sairia de casa”, finalizou.


Leões do Norte

Rayana viajou na manhã de ontem para Prado, juntamente com os amigos Balmant, Vitinho e Hiago. Eles participarão de um encontro para motociclistas
Rayana viajou na manhã de ontem para Prado, juntamente com os amigos Balmant, Vitinho e Hiago. Eles participarão de um encontro para motociclistas

Em Nova Venécia, Rayana faz parte do Moto Clube Leões do Norte, que conta com mais cinco integrantes.
Sempre presentes em encontros espalhados pela região, quatro integrantes do grupo viajaram ontem para a cidade de Prado, na Bahia, onde ficarão até amanhã em um evento no município.
O próximo encontro que eles participarão deverá ser em Belmonte (MG).

 

 


Próxima viagem

Rayana já está planejando a próxima viagem longa. Segundo ela, deverá acontecer no mês de julho, para a Serra do Rio do Rastro, localizada no município de Lauro Müller, a mais de 1421 metros de altitude, no sul de Santa Catarina.
Amante de rock e música clássica, ela disse que pretende, também, ir de moto para São Paulo, em outubro, em um show da banda Helloween. “Sou fã e já comprei até o ingresso. Estou avaliando se vou ou não de moto”, disse.


História

Rayana Schneider tem 30 anos e é formada em Engenharia Elétrica pela Ufes.
Em Nova Venécia, ela dá aulas na Faculdade Multivix e mora sozinha no bairro Filomena.
Durante sua aventura, ela ressaltou que estava sempre em contato com a mãe e seus dois irmãos.
Ela gosta de motos desde a infância e comprou a sua primeira em 2013. Na época, uma Yamaha Fazer 250. Teve que vendê-la, mas depois ficou sabendo que a MT 07 700cc seria comercializada no Brasil. Foi quando decidiu comprá-la, em 2015. Na época, ela pagou R$ 33 mil.

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