A maternidade em vários ângulos

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Os dilemas, delícias e preocupações de ser mãe, começa já nas primeiras horas que descobre-que se está grávida. Não basta enfrentar os nove meses de gestação para ser mãe. O cuidado para a vida inteira, é necessário. Na receita, há ingredientes indispensáveis como afeto, responsabilidade, vínculo e, principalmente, amor. Quando o assunto é a figura materna, de forma ingênua, idealiza-se, geralmente, a perfeição. Na realidade, porém, como qualquer ser humano, elas erram, mas também acertam. São também diferentes de quem não conhece a dor e a alegria de dar à luz a uma nova vida.
E por mais que o tempo evolua, por mais que a ciência ultrapasse limites do universo, ainda são elas as únicas responsáveis por carregar durante meses um novo ser, colocar ao mundo os pequenos, que um dia vão crescer e criar independência, geralmente.
Para comemorar o Dia das Mães neste domingo, 14, a editoria de Matérias Especiais de A Notícia apresenta hoje, histórias de mulheres, de várias idades e gerações, que vivem em Nova Venécia. Em fases distintas da missão, elas contam as dificuldades e os prazeres de se ter um filho.
A funcionária pública Kenya Contarato Gomes Machado, 30 anos, é mãe de primeira viagem. A Elisa nasceu há pouco mais de um mês, pesando 3.135 kg e com 51 centímetros. A cesariana durou apenas 20 minutos e segundo a mãe, foi tudo muito tranquilo. Bacharel em direito, a descoberta da maternidade chegou como surpresa na vida de Kenya e o marido. Mas de acordo com ela, a novidade foi o melhor acontecimento da sua vida. Muito dedicada, a recém-mãe fez questão de escolher e estar à frente, em tudo que diz respeito a filha, principalmente a primeira roupinha que Elisa vestiu, ao nascer.
Já a funcionária pública Vanessa Tosi Puppim, 44 anos, casada, mãe de 2 filhos: Isadora, 9 anos, e Enzo, 7, a maternidade é uma experiência maravilhosa, mas também tem os dilemas e preocupações, principalmente em criar e educar filhos longe de rótulos e na ditadura na sociedade.
Para a pedagoga Deborah Scardini Tuler Milke, 34 anos, a segunda gravidez está sendo com menos medos, do que a primeira. Casada e mãe de Sofia de 9 anos, ela está no início da gestação, que completa12 semanas amanhã, no Dia Das Mães. Um presentão e tanto para ela, que ainda não sabe o sexo do bebê.

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Kenya Contarato Gomes Machado, 30 anos

“Ser mãe é uma experiência maravilhosa! Mudou minha vida em todos os sentidos. Hoje sou uma pessoa completamente diferente e com novos objetivos. A maior dificuldade após o parto, foi chegar em casa do hospital e não ter mais o apoio dos médicos e enfermeiros. Da um pouco de desespero. Mas a gente vai aprendendo e contando com a participação especial do maridão, que fez e faz de tudo por nós duas, e também com o amor, carinho e dedicação das vovós e das titias. Cada dia é uma descoberta maravilhosa e a gente tem vontade de contar para todos, cada evolução do bebê. O momento mais emocionante foi quando eu escutei o choro da Elisa ao nasceu, sinto saudade desse dia. Tenho vontade de ter mais filhos, vamos ver o que o futuro nos sugere. As maiores dificuldades são as novidades do dia a dia. Ser mãe de primeira viagem não é fácil. Já estou pensando o quanto difícil vai ser, quando acabar minha licença maternidade. Não faço ideia como será quando eu voltar a trabalhar. A melhor parte da maternidade é acordar todos os dias e saber que você ama incondicionalmente; É saber que você conheceu o verdadeiro amor; É sentir o amor nos olhos da minha filha, cada vez que a amamento; É saber que para sempre, nós estaremos juntas!”

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Deborah Scardini Tuler Milke, 34 anos

“A descoberta da chegada da Sofia foi sem planejamento. Mas a alegria ao mesmo tempo foi sem limites. Ficamos maravilhados, mesmo em tanta dificuldade. Na prática, as dificuldades dos primeiros dias foram os banhos, era mamãe de primeira viagem. Mas os banhos são o de menos, as preocupações são outras agora. A violência que assusta o mundo, as drogas, a falta de humanidade das pessoas, são quesitos que me preocupa demais. Quero que a Sofia estude, cresça e possa realizar seus sonhos. Somos muito parceiras, e ela é bastante apegada a mim. Tiramos um pedaço da tarde para ela fazer as lições de casa, vindas da escola. Na verdade, nos auxiliamos em tudo. Saímos sempre juntas, pracinha, festinhas e viagens. Estávamos tentando o segundo filho. E com as bênçãos de Deus, estamos grávidos de 12 semanas. Em partes nos preparamos nessa nova gestação, para podermos oferecer o melhor, mãe nunca está satisfeita, quer se dar sempre mais e mais. Creio que agora vai ser mais fácil. Os medos e dificuldades foram superados, afinal, agora não sou mais, mãe de primeira viagem”

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Vanessa Tosi Puppim, 44 anos

“O medo depois que os filhos nasceram é de morrer e deixar os filhos, porque penso que só eu sei os gostos e os medos deles. Sei fazer o leite com chocolate de modos diferentes, que atende o gosto de cada um deles. Quando tento desenhar o futuro que os meus filhos irão encontrar, sinto também um temor, porque o mundo precisa resgatar a família e a essência do ser humano agora, para que as perspectivas futuras sejam positivas e honrosas. O desafio é educar e criar os meus filhos para serem pessoas felizes, para serem seres humanos realizados, sem estarem subjugados aos ditames, rótulos e títulos que a sociedade nos apresenta. Desde muito cedo, a gente houve muitas sentenças: “Meu filho lê desde os três anos”, “Minha filha é perfeita, linda” Outro grande desafio é ensinar aos filhos a dominarem a tecnologia e não se deixarem ser dominados por ela. Tive meus filhos aos 34 e 36 anos. Descobri que ter filhos depois dos 30 anos, apresenta uma cena peculiar, hoje tenho meus filhos que ainda dependem e requerem cuidados. Meus pais idosos que também passaram a ser nossos dependentes. É mais ou menos assim, agora tenho que ser mãe em duas perspectivas: sou mãe dos meus filhos e preciso ser mãe dos meus pais. Depois de 8 anos de casada, o primeiro filho e a casa própria vieram juntos. Tornar-se mãe pela primeira vez foi como alcançar mais uma etapa da vida. O segundo filho veio para completar a família. Cada um deles tem um detalhe que enriquece o nosso viver. Pensar no companheirismo, na sensibilidade e na cumplicidade da Isadora, que é forte e durona, e no afago do Enzo com a mão tão leve deslizando no meu rosto, mas bravo e que coloca a minha paciência e a minha disponibilidade, à prova o tempo todo, são sentimentos inexplicáveis. É um amor indelével. Trabalhar fora e ser mãe, além dos outros afazeres, exige muita disposição da mulher. A minha jornada de trabalho permite que eu possa acompanhar mais diretamente os meus filhos, mas ainda não consegui horário no meu dia a dia, para dedicação exclusiva. Agradeço todos os dias a Deus pela família que tenho, imperfeita por ser humana, com os defeitos, as frustrações e as angústias, mas que é muito, muito amada. Já tive dias que gostaria de apagar na minha vida. Dias em que me senti fracassada como mãe e isso aflige, porque não é só uma questão de derrota pessoal, é uma vida que se apoia na minha. Ser mãe é divino”

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