Aos 41 anos, veneciano Somália se divide entre o futebol e projeto social em BH

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» Atualmente, Somália coordena o projeto Show no Esporte, Show na Escola, em Belo Horizonte

Você conhece Wanderson de Paula Sabino? Talvez, assim, não, mas e se falarmos do atacante, Somália? Agora sim, né?

Ídolo do São Caetano, terceiro maior artilheiro da história do clube e uma das principais peças que formou aquele time vice-campeão Brasileiro em 2001, perdendo para o Atlético Paranaense, vice-campeão da Taça Libertadores da América de 2002, perdendo a final para o Boca Juniors, da Argentina, e campeão Paulista de 2004, Somália ainda desfila seu futebol pelos campos do interior de São Paulo, aos 41 anos. Atualmente, ele defende as cores do Clube Atlético Taboão da Serra, que disputa a série A3 do Campeonato Paulista.

Natural de Nova Venécia, Somália é filho do ex-jogador do Veneciano, Aldair, mais conhecido por Pelé. Porém, muito cedo, o jogador foi embora para Ipatinga, em Minas Gerais, onde ele deu seus primeiros passos no futebol aos sete anos. De lá, ele fez um teste no Cruzeiro, onde passou e ficou por cerca de dois anos. Após ser dispensado, Somália voltou para Ipatinga para trabalhar com o pai, mas não demorou muito para ele ter a oportunidade de vestir as cores do América Mineiro, onde conquistou diversos títulos na base, entre eles, a Taça São Paulo de Futebol Júnior, e se profissionalizou.

Apesar da distância e de toda correria do mundo do futebol, Somália ainda deixou suas raízes fincadas em Nova Venécia e retornou ao município para conhecer seus padrinhos. “Adorei a cidade na época. Fiquei três dias e pude passear bastante e conhecer muitas coisas. Depois disso, eu ainda não tive o prazer de retornar em função do trabalho, mas eu pretendo voltar em breve, até porque é uma cidade que eu tenho um carinho muito grande e tenho orgulho de ter nascido aí”, disse o atacante, em entrevista para o Jornal A Notícia.

» O atleta veneciano Somália com sua família

Entre os times que Somália atuou na sua carreira, estão o América Mineiro, onde ele foi campeão Brasileiro da série B em 1997, o NK Celje, da Eslovênia, o Feynoord, da Holanda, onde ele conquistou o Campeonato Holandês e a Supercopa da Holanda, em 1999, além de ter disputado a Champions League, o São Caetano, o Al-Hilal, da Arábia Saudita, Goiás, Santos, Grêmio, Vitória, Busan, da Coreia do Sul, Fluminense, Náutico, Brasiliense, Duque de Caxias, Figueirense, Boavista, Betim, Bonsucesso, Princesa do Solimões, América do Rio de Janeiro, onde ele conquistou a série B do Campeonato Carioca de 2015, América de Teófilo Otoni e, atualmente, o Taboão da Serra. “Primeiramente, agradeço muito a Deus por tudo. E depois, ao meu pai, pela educação que tive lá atrás, a disciplina de querer ser alguém na vida. Isso é fundamental para um atleta. Quem tem uma família que abraça a causa e dá oportunidade para prosseguir, se torna muito mais prazeroso e mais fácil de poder chegar. Hoje, tenho 41 anos e tive a honra de ter jogado esse ano, depois de dois anos parado”.

Apesar da idade, Somália diz que ainda recebe convites para jogar, mas que essa não é sua prioridade no momento. Atualmente, o atacante é coordenador de um projeto em Minas Gerais que conta com a participação de 1.350 crianças. O projeto “Show no Esporte, Show na Escola”, desenvolve diversas atividades na área do esporte, como futebol, vôlei, natação, taekwondo, jiu-jitsu, muay thai e capoeira, além de aulas de dança e hidroginástica para a terceira idade. O trabalho também envolve serviços com psicólogos, fonoaudiólogos e aulas de inglês e informática. “É um momento muito prazeroso da minha vida, onde podemos dar oportunidades para essas crianças aqui do Alto Vera Cruz, principalmente, porque até pouco tempo antes do projeto acontecer, registrava o maior índice de homicídios e de pessoas contaminadas com o HIV da zona leste de Belo Horizonte”.

» Ao fundo, Somália mostra o Alto Vera Cruz, na zona leste de BH

De acordo com Somália, o projeto social só faz uma exigência às crianças, que é estar estudando. “Se ela não tiver a possibilidade de ser um grande profissional na sua área, ela venha a ser um grande cidadão e se formar como pessoa respeitada e que se dê ao respeito, porque se não, não teria sentido”.

O projeto coordenado por Somália está prestes a completar um ano, e ele fala das dificuldades para tocá-lo. “Nós fazemos diversos sorteios de camisas de amigos meus para ajudar dentro do projeto e Graças a Deus, ele está encaminhado. Esperamos que para 2019, as coisas possam mudar, porque neste ano, mesmo diante de todas as dificuldades, nós conseguimos manter tudo isso e temos recebido muitos elogios”.

Somália é presença confirmada no Futebol Solidário de 2019, que comemorará os 30 anos do Jornal A Notícia.

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