Apaixonados por carros antigos

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» Chevrolet Bel Air era do Antônio Moreira (terceiro), passou para o filho, Luiz Moreira e agora também está no nome do neto, o Luiz Felipe Moreira

A modernidade não manda aqui, ao menos é isso que relatam os colecionadores de antiguidades entrevistados por A Notícia. Nada de carro zero quilômetro, os utilitários conservados e brilhando, são os xodós dos antigomobilistas


“O Chevrolet Bel Air (1954) foi do meu pai, que passou para mim, e agora está em nome dos meus dois filhos também”. A frase do empresário Luíz Moreira, 54 anos, resume o amor pelo charmoso e atemporal Chevrolet. Não podia ser diferente. Um carro que atravessou décadas, conflitos mundiais e fez florescer uma cultura em torno da própria existência, merece respeito e admiração. O segredo parece estar no tempo. É na passagem da chama desse amor que o modelo se mantem como novo, e as histórias vividas em torno dos loucos por carros antigos, seus amigos e familiares, se multiplicam. “Esse veículo está em nossa família há 34 anos, foi adquirido seis meses após o nascimento do meu filho. Há 12 anos o comprei do meu pai, e creio que de nossa família, ele não sai”, fala.

» Chevrolet Bel Air era do Antônio Moreira (terceiro), passou para o filho, Luiz Moreira e agora também está no nome do neto, o Luiz Felipe Moreira

A afirmação de Moreira se dá porque, justamente para dificultar qualquer insinuação de uma possível venda do veículo, o Luiz resolveu colocar o utilitário em nome de três pessoas: dele, do filho Luiz Felipe Salvador Moreira, e da filha, a Mayara Salvador Moreira. “Fiz isso para dar confusão mesmo, só vende se os três assinarem, se os três estiverem de acordo. É um carro que vai ultrapassar outras gerações da nossa família”, fala.

O empresário conta que a paixão dele passou para o filho, desde criança, época em que o menino dizia que iria dirigir o carro para os avós, o seu Antônio Moreira e a dona Arlinda. “E ele cumpriu a promessa, acho que é hereditária essa paixão”, fala Luiz.

De acordo com o empresário, o Chevrolet Bel Air, de fabricação americana, já pertenceu a Embaixada da Etiópia, no Brasil, e a dois militares, inclusive o capitão Alziro Viana Matos, antes de ser vendido para seus pais.

» Chevrolet Bel Air (1954) pertenceu a Embaixada da Etiópia

Luíz Moreira possui além do Bel Air, um Fusca 1200 (1963), um Passat TS (1976), um Fiat Oggi (1985), e uma Pick-Up Fiat 147 (1979). “Já teve época que eu tinha 20 carros antigos. Depois de muita insistência da minha esposa, precisei vender alguns. Vendi sem gostar muito, mas, teve que ser. Dava muita despesa, inclusive para manter a documentação em dia de 20 carros, realmente não é fácil”, fala aos risos, Moreira.

O Marcelo Nascimento e Silva, 27, fez uma verdadeira proeza para adquirir seu sonhado Opala. Ele estava aqui, quieto em Nova Venécia, com seu Fusca personalizado, um modelo 1984. De repente, a vontade de ter um Opala falou mais alto. Lá foi o Marcelo para a internet. Foi lá que encontrou o utilitário. Daí em diante foi só adrenalina. O empresário alugou um carro, convidou um amigo e partiu para a cidade mineira de Passos, localizada na divisa com São Paulo. A viagem iniciou na quinta-feira, e sábado, os dois estavam de volta. O Opala SS (1976) foi comprado. “Uma loucura, tudo em uma semana, rodamos quase 1800 km nessa aventura. Meu tio trouxe o veículo depois, em cima do caminhão, e por três anos, ele ficou na casa de um amigo”, diz.

» Marcelo Nascimento viajou mais de 1700 km para comprar o Opala SS (1976)

O carro do Marcelo ficou parado, sendo montado e ajustado por todo esse tempo, e apenas há seis meses, o empresário passou a passear com o veículo. “Minha família não sabia da existência do Opala, iriam me chamar de louco, por isso preferi o deixar lá, guardado”, fala.

Para ter o veículo pronto, Marcelo, que pagou no utilitário R$ 11 mil, já gastou em média R$ 15 mil em conserto do veículo. “Já ganhei seis troféus de Veículo Destaque com ele, é paixão, não basta só gostar, tem que ser apaixonado, senão, não entra nesse ramo”, brinca.

Já o Vitor Fiorin, 37, descobriu que a data do documento do seu carro, é a mesma da morte do seu pai, 20 de junho de 1989. “Aí a minha história com o meu Gol CL Star, aumentou. É sentimental meu apego, cuido do meu carro muito bem, me faz lembrar o meu pai”, diz.

Por já possuir uma oficina, claro que o Vitor endente do assunto bastante. Depois de três meses de negociação entre ele e um morador de São Paulo, o veículo foi comprado e trazido em um caminhão cegonha até Vitória. Antes disso, depois do pagamento do carro, o então dono do carro, queria desfazer o negócio. “Ele havia ganhado o carro do avô, não estava interessado em antiguidade e resolveu vender. Quando fomos partir para a parte da documentação do veículo, vimos que havia sido fabricada apenas duas mil unidades desse Gol. Ele quis devolver o dinheiro, mas já tínhamos fechado o negócio, não aceitei”, fala.
Quando o assunto é valor, os antigomobilistas não gostam de revelar preços de seus “xodós”, mas garantem que o sentimentalismo e a dedicação por essas raridades, valem mais que dinheiro. “Já ofereceram R$ 18 mil em meu Gol, vendo não, só se for por motivo de saúde. Está comigo há dois anos e meio e vai permanecer”, declara.

» Vitor Fiorin e o seu Gol CL Star, com apenas duas mil unidades vendidas

3º Evento de Carros Antigos

Os Fora de Série realizam nos dias 17 e 18 de agosto o 3º Encontro de Carros Antigos, na Avenida São Mateus, bairro beira Rio, ao lado da rodoviária. A organização espera cerca de 200 automóveis em exposição, com expositores além do Espírito Santo, do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. No apoio do evento, Rede Notícia, Prefeitura de Nova Venécia, Secretarias de Obra e Cultura.

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