Areia, batinga e tinta xadrez

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» Na parede do salão, Evangelista destina espaço para as obras, que já acumulam 40 unidades produzidas

João Evangelista Rossim, 48 anos, é cabeleireiro há 33 anos, mas é na arte que o veneciano passa boa parte das horas vagas, pintando quadros, que já ganharam até espaço garantido, nas paredes de seu salão.
O que o novo artista faz, é algo diferente do que se vê por aí. Não é na tela, nem no tecido, ele utiliza MDF, areia, tinta xadrez e cola. Da elaboração da obra, até a fase final, Evangelista realiza um trabalho minucioso, até mesmo no momento de dar cor a areia.
“Algumas tonalidades de areia compro pronta. Já as que desejo aplicar uma cor diferenciada, é feita por mim, vou testando, até ficar do jeito que quero. Uso tinta xadrez, colocando-a junto com a areia, dentro da garrafa pet. A partir daí, vou sacudindo a garrafa, adicionando ou não, mais tinta xadrez, até chegar a tonalidade ideal”, diz.
Prova de um quadro que deu trabalho para ser constituída a tonalidade da areia, foi o da figura da onça. Uma obra que o veneciano teve que dedicar seis horas, só para deixar a areia, no tom desejado. Foram testada 72 vezes, fabricando cores diferentes, para que o artista chegasse ao tom desejado.
“Fazer um degradê, o autorelevo, por exemplo, dão mais trabalho. Gosto de todas as obras que fiz, mas o quadro do rosto de Jesus e as outras obras sacras, têm significados diferentes para mim”, fala.
Para que a gravura saia do papel, o cabeleireiro amplia a figura, e através de papel carbono, reproduz o desenho no MDF. Os rostos são elaborados com a ajuda do barro batinga, muito utilizado nas fabricações de panelas de barro. Tudo na obra é feito areia, até mesmo a assinatura.
Com cerca de 40 quadros prontos, alguns em 3D, o artista já vendeu obras, e planeja agora, fazer a Santa Ceia, São Jorge e Sagrada Família. “O preço varia, mas na verdade, não faço este trabalho com objetivo de vendas. Gosto de dar vida a matéria morta, me divirto, é um lazer para mim. Mas quem gostar do meu trabalho, pode me procurar. Vai ser um prazer ter minha obra na casa das pessoas”, diz.

Dom que surgiu através da religião

Foi através da religião que o gosto pela arte começou. Sendo presidente da Pastoral Familiar e membro do Terço dos Homens, Evangelista sempre ajudou a construir, os tapetes de Corpus Christi. Após a comemoração católica terminar, os tapetes eram desfeitos, já que ficam nas ruas de Nova Venécia, durante a data. “Eu tinha uma pena de ver tudo desfeito. É tanta dedicação e tanto tempo para fazermos as obras, e depois, tudo tinha que ser desmanchado. Pensei em fazer algo que ficasse para sempre. Foi aí que decidi começar”, conta.
No início, o cabeleireiro usou papel contact como base para suas obras. Vendo que não estava dando certo, a experiência com o MDF surgiu, depois que o irmão do Evangelista, utilizou o material em outro tipo de obra. “Ele me deu a ideia e aderi, agora estou pensando em fazer na tela, já sei que vai dar certo”, esclarece.
Evangelista já doou obras para o Projeto Garra e para a Pastoral da Família, que foram utilizadas em sorteios, para arrecadar dinheiro para as instituições. Para conhecer o trabalho do veneciano, as obras estão expostas no Salão dos Gêmeos. Contato (27)99855-1835.

» Trabalhos durante eventos católicos, foram responsáveis por impulsionar Evangelista, ao mundo da arte

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