Beijo e sexo só depois do casamento

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A castidade premeditada é a escolha de dois casais venecianos, que aguardam o momento do casamento para ter intimidades. Pelo compromisso religioso, a noiva de um dos entrevistados, vai casar virgem, já ele, teve outros relacionamentos antes dela. E acreditem, eles nunca se beijaram

Quem pode imaginar que nos dias atuais, ainda existe casal, que namora à moda antiga? Se quem estiver lendo esta reportagem não conhece alguém nesse perfil ou só sabe de histórias contamos da época da avó, vamos apresentar dois enredos atuais. O cinegrafista, Maurício Azevedo, 24 anos, e a estudante Ana Carolina Domingos Gonçalves, 18, decidiram seguir a prática costumeira de muitas décadas atrás. Membros da Igreja de Deus Reavivamento Pentecostal (Iderp), em Nova Venécia, o namoro já acontece há dois anos, sem que eles nunca tenham se beijado na boca. Carícias, sexo e outras coisinhas calientes? Nada. Eles apenas andam de mãos dadas e só se beijaram no rosto até hoje. A decisão do casal foi de iniciar um namoro com o nome de Corte, que engloba a negação a tudo já citado, por seis meses. Quando terminou o prazo, eles decidiram ir além e entrar para o modelo de relacionamento já difundido mundialmente, chamado Romance Real. Ana Carolina e Maurício estão guardando a intimidade física até o casamento, que acontece no próximo mês. Ela é virgem, já Maurício, não. O casal já realizou todas a etapas do namoro, incluindo noivado e chá de panela.

Sendo os percussores na igreja em são membros a praticar o Romance Real, Maurício e Ana Carolina tem a companhia agora, de outros dois casais, adeptos do mesmo modelo de relacionamento.

Nas mesmas características do modelo de namoro do líder dos jovens da Iderp, a universitária Ariani da Silva Carvalho, 21 e o assistente de churrasqueiro, Randy Willian Bolzan Krauze, 23, resolveram praticar o Romance Real. Namorados há quatro anos, eles já experimentaram os beijos na boca um do outro, e há um ano, decidiram parar tudo, e começar uma nova etapa de vida: o casal agora só anda de mãos dadas, beijos apaixonados? Nunca mais.

A reportagem traz os relatos de vida e mostra como cada um dos casais faz para deixar o lado espiritual ter mais espaço em suas vidas, que os desejos sexuais.


À moda antiga e com casamento marcado

“Já tive várias namoradas, perdi a virgindade aos 17 anos. Depois de muitos relacionamentos vazios e sem sucesso, conheci a mulher da minha vida. A Carol e eu resolvemos juntos fazer o Romance Real, foi uma decisão em conjunto. Nunca nos beijamos, nunca nos tocamos intimamente. Estamos esperando o casamento. Quero ser exemplo para meus filhos. Sou líder dos jovens em minha igreja, não posso falar uma coisa, e fazer outra. Não é fácil resistir aos desejos, tem que ter um propósito, autocontrole. Evitamos ficar sozinhos e só viajamos em grupo, cada um em seu quarto. Para Deus, o casamento entre o casal realmente acontece, no ato sexual. A cerimônia religiosa e no cartório, é apenas algo oficial. Quando o homem e a mulher se entregam sexualmente, é neste momento que está sendo consumado o casamento no âmbito espiritual. E para nós, Jesus é o principal e mais importante motivo de estarmos aqui. Para mim faz diferença minha futura esposa, nunca ter tido outro homem, serei único na vida dela. Estamos fazendo isso porque foi a nossa decisão, não foi a igreja e nem ninguém que exigiu algo. Estamos honraram a Deus durante o processo de relacionamento. A Carol para mim é alguém além do que eu pedi a Deus, ela é uma mulher fantástica, que supera todos os dias as minhas expectativas, ela é uma pessoa cheia de qualidades, é realmente o amor da minha vida”
Maurício Azevedo, cinegrafista e designer gráfico

» Maurício Azevedo e a Ana Carolina Domingos Gonçalves nunca se beijaram

Já beijaram, mas decidiram parar

“Nos conhecemos há quatro anos em um aniversário de casamento. Não éramos evangélicos, e tivemos um namoro normal, onde era permitido beijar. Há pouco mais de
um ano, conheci a Iderp, uma amiga me convidou a participar de um culto. Eu só aceitei ir depois de muito tempo de insistência, para não fazer desfeita. Estava com problemas espirituais e me encontrei lá, nunca mais deixei a igreja. Lá conheci muita gente legal. Há um ano percebi que queria mais intimidade com Deus, e sentia em meu coração que, o tipo de namoro que tínhamos, entristecia o Espírito Santo. Comecei a questionar algumas coisas, como por exemplo, para que beijar? Qual a finalidade? Um amigo me falou sobre o livro “Romance Real”, li, gostei e optei isso para minha vida. Conversei com meu namorado e juntos, fizemos uma promessa diante de Deus, que só voltaríamos a encostar novamente os nossos lábios, quando disséssemos o nosso “sim” diante do altar”.
Ariani da Silva Carvalho, universitária

» Ariani da Silva Carvalho e Randy Willian Bolzan Krauze interromperam os moldes de namoros atuais, para seguir os mandamentos de Deus

Quando esses conceitos surgiram no contexto da igreja?

Quando esses conceitos surgiram no contexto da igreja?

Existem várias nomenclaturas como “Namoro”, “Corte”, “Namoro com Propósito”, “Romance Real”, “Do Olhar ao Altar”, “Amizade Especial”, “Amizade Colorida” e “Compromisso”. Nomenclaturas não são importantes. Cada um com sua característica, há princípios que regem o casal, até por exemplo, o momento do altar. Existem modelos de relacionamento, como o Romance Real, que impõe ao casal a não se tocar intimamente até o dia do casamento.

A base da Corte, por exemplo, que é a mais antiga no Brasil, veio dos Estados Unidos, de um movimento chamado “Anel de Prata”, que já acontece há muitos anos nos EUA e é uma ideia que veio pra cá, e ganhou força na década de 90. A ideia principal da corte é você se guardar em pureza até o altar.

A adesão ao movimento que prega a castidade é tão significativa que há sites, páginas em redes sociais e até livro com mais de 100 mil cópias vendidas dedicados ao assunto. Com milhões de seguidores no Facebook, a página Eu Escolhi Esperar é uma referência para quem pretende fazer sexo só após o casamento. Seus administradores publicam relatos e frases de apoio à decisão, além de divulgar palestras e vender produtos com o símbolo da espera: uma mão em sinal de pare. Existem várias nomenclaturas espalhadas pelo mundo, sobre o mesmo assunto, porém, há também aqueles que se reservam do sexo até o casamento, mas permitem beijo na boca, que é a Corte. O Romance real não permite nada disso, qualquer modalidade de sexo é vetada, inclusive aquelas que não envolvem penetração, como o oral e o virtual. A masturbação também é proibida. Com tantas restrições, escolher esperar não é uma tarefa nada simples.

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