Casal veneciano: ele é portador do HIV, já ela, não!

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A informação, o tratamento adequado e a conscientização permitem ao casal veneciano ter uma vida normal entre marido e mulher. Os cuidados e o diagnóstico fazem com que o portador do vírus do HIV, não transmita a doença para a atual esposa, que segundo ele, é seu alicerce em todos os momentos da vida

A história contada hoje pode desvendar muitos mitos sobre a Aids. Preferindo não se identificar, demos um nome fictício para um morador de Nova Venécia, soropositivo, que descobriu ter o vírus HIV há mais de um ano. João Oliveira (nome fictício) concedeu a entrevista para A Notícia pensando exclusivamente em levar a principal mensagem: cuidem-se e previnam-se. Sem saber quem o infectou, João afirma que hoje tem uma vida mais saudável do que antes de descobrir a doença. Pesando 10 quilos a mais, o veneciano deu um depoimento emocionante e consciente durante a entrevistas, sobre alimentação saudável e a nova fase da vida que vem tendo.

Categórico, João atribui a qualidade de vida que tem, às informações que foram adquiridas e todo amparo profissional transmitido, se deve à equipe do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), em Nova Venécia. Foi lá que ele descobriu ser portador do vírus HIV. Hoje João faz tratamento adequado e tem as instruções transmitidas de como viver com qualidade de vida, através do CTA.


Do diagnóstico à nova etapa da vida

“Descobri que sou HIV positivo há pouco mais de um ano. Um amigo confidenciou-me que havia contraído o vírus do HIV. Como somos muito íntimos e frequentamos os mesmos lugares, ficou aquela dúvida em minha cabeça. Já tivemos relações sexuais com pessoas em comum. Resolvi tomar coragem e fazer o teste. Deu positivo, meu mundo caiu, eu pensei em morrer, em me matar, em sumir no mundo. No momento eu não tive chão. Entrei em depressão, parei de trabalhar. Casado há 18 anos e com três filhos, minha ex-esposa fez o teste também e deu positivo, ela preferiu a separação. Ao descobrir a doença eu me tranquei, fugi do mundo, das pessoas, ficava excluso dentro de casa, querendo tomar coragem para acabar com a minha vida, mas não tive coragem de fazer isso, graças a Deus. Tive o apoio da equipe do CTA, que além dos medicamentos para tratamento do HIV, me ajudou a levantar, tomei medicamentos também para depressão. Quando resolvi sair da cama, sete meses já tinham se passado. A primeira coisa que fiz foi procurar Deus, fui a igreja, pedir perdão e continuo indo, porque o que me dá a sustentação para viver hoje, é a fé. Logo depois conheci minha atual esposa, estamos juntos, ela não é portadora do vírus HIV. Quando nos conhecemos ela não sabia que sou soro positivo. Aprendi com a dor, e usei preservativos durante as nossas relações sexuais, é assim até hoje. No início ela queria saber porque eu usava a camisinha, falei que depois contaria. Não demorou e abri o jogo, contei a verdade. Ela deu uma balançada, mas nunca falou em terminar comigo. Estamos juntos e ela é meu apoio em tudo. Quero dizer para as pessoas que por acaso tenham dúvidas sobre a saúde, que vá fazer o teste. É rápido, indolor e pode salvar vidas. Eu trabalho normalmente, saio, me divirto e até tomo uma cervejinha no fim de semana. As pessoas precisam tirar esta capa de preconceito que existe na sociedade. A Aids não pega pelo abraço, nem pelo suor, nem pelo aperto de mão. É preciso ter o diagnóstico o quanto antes, iniciar o tratamento e seguir a vida. Antes eu queria me matar, hoje quero cada dia ter mais saúde e viver mais, estar bem, praticar o amor ao próximo. Eu mudei em tudo, minha vida era só trabalhar, deixei de conviver com meus filhos muitas vezes, por dinheiro. Hoje, eu quero aproveitar o que a vida tem de bom, sou deslumbrado com os dias, viver me faz bem e feliz”

*João Oliveira, 43 anos – Nome fictício para preservar a identidade do entrevistado


Tratamento gratuito pelo SUS

A Secretaria Municipal de Saúde, através do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) oferece tratamento, diagnóstico e ações de prevenção quanto ao HIV pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O CTA diagnosticou em 2018, 15 novos casos e atualmente, 81 pacientes são acompanhados em tratamento no CTA de Nova Venécia. Deste número, de acordo com a coordenadora do CTA, Jagni Mikeli Stange Gude, 90% estão com a carga viral indetectável, ou seja, houve controle do vírus, ainda que o paciente esteja infectado. No mesmo ano foram distribuídos 70 mil preservativos masculinos, 2 mil femininos e ainda, a unidade trabalha com programas de prevenção ao vírus causador do HIV, além de outras doenças sexualmente transmissíveis.

» De acordo com a coordenadora do CTA, Jagni Mikeli Stange Gude, 90% dos pacientes em tratamento na unidade veneciana, estão com a carga viral indetectável, ou seja, houve controle do vírus, ainda que o paciente esteja infectado

De acordo com o secretário de Saúde, André Fagundes, um dos grandes obstáculos encontrados é o preconceito. “O tratamento e a descoberta o quanto antes de qualquer doença, é prioridade, e em se tratando da Aids, isso não é diferente. Precisamos desmitificar e deixar claro que, é preciso buscar tratamento e principalmente o diagnóstico. Temos o teste do HIV, gratuito, é rápido e indolor. O preconceito não vai trazer a qualidade de vida de ninguém de volta, já o uso dos medicamentos corretos, traz uma expectativa de vida igual a de qualquer outra pessoa”, diz André.

“A prevenção é a melhor opção. A pessoa precisa entender que se estiver contaminada com HIV, a vida não acaba, ela tem que continuar e com qualidade. A melhor maneira é o diagnóstico precoce e o tratamento adequado”,
André Fagundes, secretário Municipal de Saúde

O Espírito Santo registrou 1.101 casos de pessoas com o vírus HIV, em 2018. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). O número é compatível com os últimos quatro anos. Até 2014, o registros eram em média de 500 casos anuais. Ainda de acordo com a Sesa, até dezembro de 2018 haviam 11.980 pessoas em tratamento de HIV no Estado.


Campanha de prevenção à Aids

A Rede Notícia de Comunicações, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, o Hospital São Marcos, a Promel, a Rede Ferrari e a Multivix, realiza nesta sexta-feira, a partir das 16h, um evento de conscientização e prevenção à disseminação do vírus HIV.

A ação, intitulada “A Vida é Melhor sem Aids”, tem como principal objetivo, mostrar as precauções que os foliões precisam tomar durante o período carnavalesco.

O evento acontecerá nas imediações do Posto Ferrari, na saída para São Mateus. Durante a promoção haverá distribuição de panfletos educativos, preservativos e brindes da Rede Notícia.

A ação conta com apoio da Veneza, Churrasqueiras Lobo, Kempo, Miotto Materiais de Construção, Farmácia do Trabalhador Capixaba e Devassa.

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