Em Buenos Aires, Dilma se reúne com Cristina Kirchner

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SYLVIA COLOMBO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) – A ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff visitou sua colega argentina, Cristina Kirchner, na tarde deste sábado (9), em seu apartamento no bairro da Recoleta, em Buenos Aires.
O encontro durou cerca de uma hora. Cristina disse que “entre outros temas, conversamos sobre uma realidade que se está impondo em nossos países, um processo de guerra jurídica, que consiste na utilização do aparato judicial como arma para destruir a política e os líderes opositores”.
Durante a semana, o juiz federal Claudio Bonadio pediu que fosse retirado o foro privilegiado que Cristina tem hoje como senadora para que respondesse aos processos nos quais é acusada. Entre eles, estão encobrimento e obstrução de Justiça, enriquecimento ilícito, especulação com o dólar e lavagem de dinheiro por meio dos hotéis da família no sul do país.
Bonadio também classificou o caso de suposto encobrimento das investigações sobre o atentado a AMIA, em 1994, quando 86 pessoas morreram, como de “traição à pátria”, o que poderia condenar Cristina a de 10 anos à prisão perpétua.
Na sexta-feira (8), porém, o Executivo considerou essa última acusação como “excessiva” e que seria difícil conseguir a retirada do foro de Cristina (que precisa passar pelo Congresso) sob essa alegação.
Por outro lado, o presidente Macri disse em entrevista a jornalistas que “Cristina tem de prestar contas à Justiça, são muitas as denúncias.”
AMIGAS
A ex-presidente também divulgou fotos das duas conversando, sorridentes, e disse que foi muito agradável o encontro “com minha querida companheira Dilma”.
Cristina também comparou o que vem ocorrendo com ela com o “impeachment” da brasileira. “O objetivo é o mesmo, no Brasil e aqui: ocultar o desastre econômico que estão sendo levados adiante pelos novos governos neoliberais da região”.
Nos últimos dias, Cristina fez várias aparições públicas, tentando mostrar-se relaxada e fazendo duras acusações a Macri, que diz estar por trás dos processos contra ela.
Na sexta (8), a ex-presidente argentina foi ainda a uma homenagem pelos 40 anos de um sequestro coletivo de familiares de desaparecidos políticos em que também se mostrou sorridente e se disse tranquila quanto aos processos que enfrenta.

Fonte: FolhaPress