Estudantes de Direito promovem campanha contra a violência sexual infantil

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» Evento será realizado na Praça do Imigrante

A próxima sexta-feira, dia 18, é o Dia Nacional de Combate à Violência Sexual Infantil e, por conta dessa data, os alunos do 7º período do curso de Direito, da faculdade Multivix, em Nova Venécia, resolveram realizar uma campanha para a conscientização sobre esse tema, que é quase um tabu na sociedade.

O “Proteger é Preciso”, vai acontecer no próximo sábado, dia 19, a partir das 9h, na Praça do Imigrante, no centro de Nova Venécia.

Os futuros juristas, já preocupados com o alto índice de casos registrados na região, se propuseram a divulgar e instruir a população dos perigos que podem estar rondando os lares.

Os processos que envolvem crianças e adolescentes tramitam em segredo de justiça, não podendo ser divulgados, e só vem a púbico quando os próprios abusados resolvem falar ou os familiares o fazem, mas são casos isolados.

Esses números assustam e preocupam, cada vez mais, autoridades das áreas de segurança pública, que acham que o envolvimento da sociedade civil é de fundamental importância para a elucidação dos casos, além de servir para a prevenção de possíveis ataques e violências.

Outra informação relevante nessas situações é de que a maioria dos molestadores tem uma ligação direta com o molestado, ou seja, podem estar ligados através do parentesco de primeiro grau e outras classes de vínculo familiar. São inúmeros casos envolvendo parentes e até pais ou padrastos, além de outros tipos de proximidades como educacional e profissional.

Considerada uma doença por muitos profissionais de saúde, as pessoas que acabam cometendo esse tipo de crime são isoladas e levadas a um tratamento psicológico. Alguns desses profissionais acreditam que se o indivíduo tivesse a oportunidade de se expressar com alguém preparada para ouvi-lo, isso evitaria inúmeros casos, mas quem tem esse tipo de transtorno evita falar sobre o assunto, com medo de ser julgado pela sociedade, e a própria sociedade, também, se cala ou não abre diálogo sobre o tema.

O estudante de Direito e um dos organizadores, Manoel Neto, frisa que é importante alertar pais, tutores, curadores e, claro, as próprias crianças e jovens para o risco de serem induzidas a praticar sexo fora do tempo natural. “É necessário orientar e conversar com toda a sociedade, alertando não só para a violência sexual, mas para qualquer tipo de intervenção, seja ela psicológica ou física. Cerca de quatro crianças são abusadas por hora no Brasil. Isso, além de ser assustador por si só, é um número muito alto e que poderia ser evitado. A população está convidada a participar conosco no próximo sábado, a partir das 9h, na Praça do Imigrante. Será um evento para a conscientização, na tentativa de educar a todos”.

De acordo com um levantamento feito pelas denúncias acolhidas pelo Disque 100, canal para relatar casos de violação de direitos humanos, o Brasil somou, pelo menos, 175 mil casos de exploração sexual de crianças e adolescentes entre 2012 e 2016. Apenas entre 2015 e 2016, foram 37 mil casos de violência sexual na faixa etária de 0 a 18 anos esses porque foram denunciados.

Ao todo, 67,7% das crianças e jovens que sofrem abuso e exploração sexuais são meninas, contra 16,52% dos meninos. Os casos em que o sexo da criança não foi informado totalizaram 15,79%. A maioria dos casos (40%) ocorrem com crianças entre 0 a 11 anos, seguidas por 12 a 14 anos (30,3%) e de 15 a 17 (20,09%). A maioria dos agressores são homens (62,5%) e adultos de 18 a 40 anos (42%).

O Dia Nacional de Combate à Violência Sexual Infantil foi estipulado, pois a data remete ao dia 18 de maio de 1973, quando a Araceli Crespo, de 8 anos, foi raptada, estuprada e morta por jovens de classe média alta, em Vitória. Os agressores nunca foram punidos.

No Brasil, o Disque 100 e o aplicativo Proteja Brasil são os principais meios de denúncia dos crimes envolvendo crianças e jovens.

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