“Minha mulher me deixou porque eu vivia bêbado”, diz veneciano que largou o álcool

0
908
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o álcool mata cerca de 3 milhões de pessoas em todo o mundo a cada ano, representando uma em cada 20 mortes

Sóbrio há três anos, F.A.S. narra como foi sua vida durante os 40 anos de alcoolismo.
Por ser agressivo, a esposa saiu de casa, trabalho já não tinha mais e nem saúde. Mesmo assim, ele deu a volta por cima e ainda deu tempo de reconquistar o que havia perdido


O Grupo Alcóolicos Anônimos (AA), de Nova Venécia, está completando 37 anos e para mostrar a importância da entidade, entrevistamos um membro do grupo, que à beira da morte e muito debilitado, resolveu se dar mais uma chance. Para não expor o veneciano, a matéria traz apenas as iniciais desse vitorioso, que está há três anos sobreo.

F.A.S., 55 anos, precisou perder tudo na vida, a esposa, a dignidade, o respeito, e até parou de trabalhar. Após estar no fundo do poço, F.A.S. viu uma luz ao fundo do túnel, e começou a frequentar o AA. A família de volta e a saúde foram algumas das conquistas que o veneciano teve de volta, já que as ressacas e momentos agressivos por conta do álcool, ficaram para trás. Com nova vida, o homem que deixou o álcool para trás, conta sua história.


AA e a nova chance

“Uma vida de bebedeira, farra, bagunça. Quem olha isso aí pode achar bonito, mas não é. Comecei a beber aos 15 anos. Cachaça com limão foi a primeira dose, daí em diante, só fui parar de beber há três anos. Foram quatro décadas perdido na vida. Até que um dia, depois de sofrer muito e implorar para eu sair disso, minha mulher foi embora de casa. Estávamos casados há 20 anos, com dois filhos. Ela tinha razão, eu era agressivo, as brigas eram diárias. Começava a beber as 3 horas da manhã, na hora do almoço eu dormia um pouco, e ao acordar, era bebida de novo. Bar e os colegas, era ali que eu passava meu dia. Mulher nenhuma aguenta, nem família. Em meus filhos eu só via tristeza. Cheguei a pesar 60 quilos, só tinha uma muda de roupa e um chinelo, estava à beira da morte, passava muito mal. Cheguei assim no AA, no dia 13 de setembro de 2016. Como eu estava muito debilitado, sem nada mais na vida, resolvi tentar mudar. Fui para o AA porque aquele dia fiquei sem beber, e meu filho perguntou se eu queria ir a uma reunião. Minha esposa já tinha saído de casa, mas foi também, e meu filho junto. Chegando lá foi tudo diferente do que achei que era. Ninguém me perguntou nada, me cobrou nada, apenas me acolheram. Foi o AA e Deus que me tiraram do fundo do poço e me ressuscitaram. Nasci de novo, nem remédios que médicos me passaram adiantaram para me acalmar e parar de beber. Agora minha vida mudou, minha esposa voltou para casa depois de ficar seis meses fora. O retorno dela foi porque parei de beber, nunca mais coloquei uma gota álcool na boca. Voltei a trabalhar, o diálogo e compreensão não faltam em minha família mais. Não quero viver de pileque, embriagado, de ressaca e sendo a vergonha para minha família. Hoje sou feliz, estou com 23 anos de casado, um casal de netos e voltei a trabalhar. Nas horas vagas leio literatura que envolve o tema alcoolismo, é o que me indicam no AA. Ali só tem começo, nada de fim, do AA não quero sair mais. Na comemoração dos 37 anos vou receber a ficha de três anos sóbrio. Estou muito feliz e alegre, vou guardar como um prêmio, já esperando completar mais uma data, para ganhar a próxima. Indico o AA a quem esteja passando por essa doença, pode acreditar, é diferente de tudo que acham que é. Se não fosse o AA eu já estaria morto, tenho certeza. Do fundo do poço, aqui estou eu, pronto, alegre e vivendo cada dia um novo dia”
F.A.S., 55 anos – Membro do AA de Nova Venécia


AA completa 37 anos em Nova Venécia

O Grupo Alcóolicos Anônimos, de Nova Venécia, completa no próximo dia 26, 37 anos de fundação. Para celebrar o dia, integrantes do AA vão fazer uma reunião comemorativa, no dia seguinte da data oficial de aniversário, às 19 horas, no mesmo local em que o grupo realizada os encontros semanais, que é em uma sala do Ginásio de Esportes
No mundo, o AA completou 84 anos e no Brasil, 72.Já no Espírito Santo, o A.A. possui 47 anos de existência.

As reuniões no AA em Nova Venécia acontecem as terças e sextas-feiras, as 19 horas e domingo, as 9 horas, no Ginásio de Esportes Getúlio Martins. Os encontros são fechados, dedicados apenas à terapia dos alcoólicos, e a dinâmica pode ser estabelecida por um comitê orientador ou coordenador, envolvendo discussões informais das dificuldades que os alcoólicos enfrentam para manter a sobriedade e o controle sobre a própria vida.

Os participantes do AA trocam experiências com base nos Doze Passos e Doze Tradições, selecionando tópicos específicos, tais como os slogans, os três legados, a prece da serenidade, entre outros.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (OMS), o alcoolismo é uma doença progressiva e incurável, e os voluntários do AA oferecem apoio gratuito na recuperação e manutenção da abstinência. O AA de Nova Venécia fica na Avenida São Mateus, s/n, sala 42.

Compartilhar

Deixe uma resposta

*