“Minha vocação é ser Padre”

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Em um mundo tomado pela competitividade e pelo desejo de satisfação pessoal, existem jovens que decidem ter uma vida diferente do convencional, e um deles, é o Marlon do Bonfim, que já está no seminário

» Marlon do Bonfim foi para o Seminário Propedêutico de São Mateus

Nascido em Nova Venécia, cria do bairro Bonfim, Marlon de Oliveira Galvão, 18 anos, apostou em seguir um percurso ao contrário do que a maioria dos jovens de sua idade. Ao invés de buscar uma formação convencional, namoro e baladas, Marlon do Bonfim, que é como gosta de ser chamado, foi na última quinta-feira-feira (07) para o Seminário Propedêutico de São Mateus. “Quero estudar e ser padre, é minha vocação, minha vontade desde criança. Acho que já nasci com a missão de ajudar as pessoas. Quero seguir o caminho do Senhor, é o que me faz bem, me alegra e alimenta a minha alma”, diz.

Filho caçula da dona de casa Vanessa Maria de Oliveira Galvão e do aposentado Marcos Galvão, não foi em casa que o menino aprendeu os ensinamentos cristãos regidos pela Igreja Católica. A mãe do Marlon é de família evangélica, sendo integrante da Igreja Assembleia de Deus. “Quando eu tinha uns três anos, tive o prazer de ter em minha vida uma pessoa maravilhosa, Tereza Tiburtino (in memória). Ela me levava para a Missa, adoração, visitas em comunidades, reza do Terço. Cresci assim e fui tomando gosto, ela era minha vizinha e me levava para onde fosse”, conta.

De acordo com Marlon, mesmo a mãe sendo evangélica, ela nunca se importou que a vizinha o levasse para uma religião da que não tinha em casa, e foi aos cinco anos, que o menino foi batizado na Igreja Católica Nosso Senhor do Bonfim, tudo com iniciativa da Tereza. Já os padrinhos escolhidos foram Heliedson Bondrin Bonomo e Penha Miranda Zanca. Depois disso veio a Primeira Comunhão e Crisma. “Meus pais nunca se importaram e sou católico com fé, praticante, atuante”, conta.

Vivendo dia após dia acreditando sempre na vocação do sacerdócio, Marlon conta que a vontade aumentou há cerca de dois anos, e foi quando ele procurou o direcionamento de quem já vive o que ele pretende para si. “O padre Jaymir fez total diferença em minha decisão, ele sempre conversou muito comigo, me mostrou todos os lados de seguir somente a Jesus, principalmente as dificuldades. Isso fez com que a minha fé e decisão fossem reforçadas, não tenho dúvidas do que quero para mim, ser padre. Costumo brincar que da “Pedreira” também saem coisas boas. O bairro Bonfim terá mais um Padre de lá”, relata.

O tempo que vai passar no seminário mateense, Marlon ainda não sabe, a estadia vai depender da autorização dos superiores da unidade, para que o jovem siga para o Seminário de Carapina, local onde fará a faculdade de Filosofia e Teologia. “Vou cuidar de mim agora, da parte espiritual, seguir meu caminho. Ser padre para mim é realizar um sonho de criança, é dar sem receber nada em troca, é não ter apegos materiais e viver em função de Deus, para sempre servir ao próximo”, explica.

» Tereza Tiburtino foi quem levou Marlon para a igreja

 

Atuação em diversos segmentos

Marlon do Bonfim aprendeu a ser atuante na Comunidade do Bonfim, local onde foi membro até 2014. O veneciano foi coroinha até o final do ano passado, e já fazendo parte da Matriz São Marcos, assumiu a coordenação da Infância, Adolescência e Juventude Missionária. Também era membro do Apostolado da Adoração, e já fez parte da Pastoral da Saúde, entre outros muitos grupos da cidade, afinal, é difícil saber do que Marlon não fazia parte. “Eu sempre gostei de estar no meio das programações da igreja, de ajudar ao próximo”, diz.

Quando decidiu que era hora de buscar seu caminho, Marlon fez durante um ano, Acompanhamento Vocacional, no Centro Diocesano São João XVIII, em São Mateus.

Junto a isso, o morador do Bonfim terminou o Ensino Médio na Escola Estadual Dom Daniel Comboni e como sempre foi atuante, já foi eleito representante titular do Conselho de Escola, na unidade.

Além disso, Marlon foi escolhido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para representar o Estado, no 1º Seminário Internacional de Inclusão de Adolescentes e Jovens do Ensino Médio, evento que aconteceu em 2016, em Belo Horizonte. Junto ao prefeito Lubiana Barrigueira, Marlon foi convidado para receber ainda, o Prêmio do Selo Unicef Município Aprovado, no mesmo ano. Em 2017, Marlon representou a Escola Dom Daniel Comboni, no 2° Diálogo de Gestão do Jovem do Futuro, projeto de autoria do Unibanco, com parceria da Secretaria de Educação do Estado do Espírito Santo (Sedu).

No Banco Banestes, Marlon atuou nos últimos dois anos como estagiário. “A minha vocação em ser padre tem tudo a ver com a educação espiritual que a Tereza me proporcionou, devo a ela. Se minha amiga estivesse viva, estaria orgulhosa, satisfeita e seria a minha maior incentivadora. Estou pronto para estudar, ser padre e cumprir minha missão na Terra”, finaliza.

» Marlon contou com explicações de Padre Jaymir, sobre a vida no sacerdócio
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