Salvando vidas

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Uma unidade de tratamento para dependentes químicos que já tirou muita gente das drogas, proporcionou dignidade e prova todos os dias que ainda é possível acreditar na superação do ser humano; assim é a Aaserdeq

A Fazenda Solidariedade tem capacidade para 25 internos em tratamento de dependência química

O consumo de drogas é um problema para o dependente, para a família, para a sociedade e para a saúde pública do País. Tratar quem tem a intensão de sair deste submundo, é dar dignidade ao dependente químico e também é dar oportunidade da família deste usuário de drogas, se erguer. Não é deixando este assunto para lá, que a população vai ter a tão sonhada segurança, pois o problema está aí, não adianta fechar os olhos e nem achar que tudo pode ser resolvido, sem o engajamento de quem pode ajudar. Para cuidar de quem é dependente químico, a Associação de Amparo Social e Educacional de Recuperação de Dependentes Químicos (Aaserdeq) construiu a Fazenda Solidariedade, que já recuperou 25 ex-internos, hoje já integrados ao convívio social.

Totalmente entregue ao mundo do crime, o Marcelo Alves dos Santos, 40 anos, não era somente usuário de cocaína. O veneciano foi preso por tráfico, portando 8kg de maconha. Estando desde os 15 anos nesse mundo sombrio, Marcelo vivia do dinheiro do crime. Era a venda das drogas que bancava uma vida repleta de festas, muita bebida e uma falsa alegria. Os pais dele moram na Travessia, interior de Nova Venécia. Foi lá que, o agora comerciante, teve a oportunidade de sair da vida que maltratou por tanto tempo ele, os pais, sua esposa e seu filho de 16 anos. Na Fazenda Solidariedade, o ex-usuário de drogas ficou internado por um ano. Lá ele teve a oportunidade de aprender uma profissão e de vivenciar momentos espirituais, o que tornou um de seus alicerces para conhecer uma nova vida.

Casado, pai de dois filhos e morando em Nestor Gomes, foi no álcool e nas drogas que o Juscerlande Coswosk Riguetti, 26, apostou seus últimos cinco anos, antes de também fazer parte da unidade de recuperação veneciana. Crack, cocaína, cerveja e cachaça era para onde ia a metade do seu salário, até que sua irmã, informou da existência da Aaserdeq ou Fazenda Solidariedade a ele. Dez meses foram suficientes para que o rapaz deixasse tudo para trás. Na unidade de tratamento, os funcionários e direção são só orgulho dos dois exemplos citados acima. Tanto o Marcelo quanto o Juscerlande viraram espelho quando o assunto é superação da Aaserdeq. Orgulho é pouco para esses dois!

Da vida no tráfico a comerciante

“Fui preso por tráfico, com 8 kg de maconha. Usei drogas desde os 15 anos, cocaína. Sempre
ganhei dinheiro através da droga, era da onde eu tirava para bancar meus luxos. Eu vivia bem,
cheio de gente ao meu redor, bancava todos, tinha dinheiro para fazer festa todo dia, aliás, eu achava que vivia bem, uma mentira. A droga e a venda dela sempre fez com que eu me sentisse poderoso, o tráfico te leva a esta ilusão. Fiquei mais de um ano na cadeia, os amigos sumiram, só a minha família esteve comigo. Após sair de lá, um dia eu estava na casa dos meus pais e o padre Romário perguntou se eu estava interessado em me tratar, em sair dessa vida. Eu estava. Ele me levou para a Aaserdeq, foi a minha salvação. Lá eu aprendi a ter horários, a ser gente, a dar valor a minha família, a ter uma profissão honesta. As pessoas não davam nada por mim, mas lá, não desistiram do Marcelo. Aprendi a empalhar na madeira e hoje vendo artesanato, no ponto comercial de Pague Fácil que montei. Tenho também um pula pula que fica na varanda da minha casa, cobro R$ 1. Sustento minha mulher e meu filho com esse dinheiro honesto. Sou do Terço dos Homens agora, não vou a festa onde tenha bebida alcóolica, sai do fundo do poço. Minha vida mudou, minha esposa está feliz, minha mãe nem se fala, estou firme e sobreo. Agradeço a todos da Aaserdeq, eles me salvaram da morte e tiraram a minha família do sofrimento. Deus está comigo todos os dias”
Marcelo Alves dos Santos, 40 anos

A vontade de mudar

“Não tinha um dia que eu não bebia. Era droga e bares, de porta em porta. Às
vezes eu nem voltava para casa para dormir, ficava pela rua. Por onde eu
estava, estavam os amigos, era uma vida desregrada. Começou a cair a ficha e vi que eu já não tinha nada além do vício em meus dias. Decidi mudar, eu já não aguentava aquele meu jeito mais, estava muito ruim, eu estava fazendo mal para todos ao meu redor também. Assim que fui para a Fazenda Solidariedade, foi como abrir uma luz em mim. Aprendi a dar valor a vida, a família, a Deus. Lá me ensinaram a ter um tempo de oração todos os dias, agora frequento a igreja. Trabalhei, estudei nos livros que me deram durante a internação e tive convívio com o que é certo. Aquele lugar representa meu recomeço, foi onde me tratei, onde acreditaram em mim, onde não me discriminaram, me acolheram apenas. Minha vida estava acabada, eu estava apenas vagando nela. Hoje sou um homem de família, responsável, trabalhador e que faz questão de estar todos os dias ao lado de quem me ama”
Juscerlande Coswosk Riguetti, 26 anos
“Na verdade, me orgulho dele ser esse grande exemplo de pessoa. Passou o que passou e deu a volta por cima. Pode servir de inspiração pra outros. A dependência química tem solução, precisa apenas de decisão e de estender a mão a quem quer mudar. Estamos muito felizes com a recuperação do meu irmão”
Juscelia Coswosk Riguetti, irmã do Juscerlande

“A Igreja sempre aposta em vidas, em salvar vidas. A Fazenda Solidariedade é um lugar de esperança. Onde tem gente querendo se reestabelecer, estaremos juntos. Onde estiver pessoas querendo resgatar sua dignidade, vamos apoiar, é necessário apoiar. Eu creio nessa pessoa, creio na mudança dela, creio na mudança de quem quer mudar. A comunidade veneciana precisa continuar se envolvendo nesse projeto, pois foi ela que conseguiu erguer a Aaserdeq. É preciso ajudar, é prudente que façam uma visita ao local. Aquelas pessoas estão apostando em voltar a ter uma vida de verdade e pode ter certeza de que, são essas pessoas que o nosso Pai mais olha, mais enxerga, eles são os prediletos”
Padre Orlando

Fazenda Solidariedade ou Aaserdeq

A Associação de Amparo Social e Educacional de Recuperação de Dependentes Químicos (Aaserdeq) é a entidade responsável pela Fazenda Solidariedade, local com capacidade para 25 internos em tratamento de dependência química.

Surgindo através de voluntários, a Fazenda Solidariedade completa três anos de funcionamento no próximo mês, disponibilizando atendimento social, psicológico, com equipe médica, enfermeiro, técnico de enfermagem e nutricionista.

A casa possui cinco quartos, sala de oração, cozinha, banheiros, e salão de jogos. Na parte externa, além da paisagem natural, a horta produzida pelos internos, dá um clima a mais de aconchego e familiar.

Com horário fixo para acordar ao amanhecer, os internos contam com seis refeições, precisam cumprir tarefas e acompanhar o regulamento disciplinar da unidade. Cada um lava sua roupa, e são responsáveis pelo quarto onde está hospedado. As iniciativas estão no código de funcionamento da Aaserdeq, para criar uma espécie de valorização familiar, ajudar a cada um ter planejamento e disciplina.

Mesmo não sendo obrigados a permanecer na unidade, os que aceitam a internação, ficam os primeiros três meses sem receber visita de familiares.

Atualmente a Fazenda Solidariedade conta com 21 internos, vindos além de Nova Venécia, de Belo Horizonte, Alfredo Chaves, Cariacica, Vitória, Minas Gerais, São Mateus e outras localidades. Para fazer parte da instituição, há uma triagem. A demanda de integrantes no local é encaminhada pelas igrejas, a sociedade e o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
A Fazenda Solidariedade também conta com laboratório de informática, de artesanato e é atuante na questão da espiritualidade, tendo momentos de oração, além de Missas a cada 15 dias e cultos.

Entre as linhas de tratamento, o Centro utiliza o Programa de 12 Passos, estratégia que serviu inicialmente para o tratamento do alcoolismo e mais tarde, estendido para praticamente todos os tipos de dependência química e compulsões no mundo.

Estrutura

A Fazenda Solidariedade possui sete alqueires de terra, sendo 3.000 mil metros quadrados de área construída. Existe o projeto de aumentar a unidade, já que dois prédios estão precisando de acabamento, e a intenção da direção é de construir outras arquiteturas, para que abriguem os internos a cada etapa de tratamento, e assim, possam incluir novos dependentes químicos no local, durante os sete meses de tratamento. Na presidência; Aldo Contarato; 1° Tesoureiro: José Antonio Gambinbi; 2° Tesoureiro: Luiz Antônio Rodrigues; 1° Secretario: Ildete Soares dos Reis Destafani; 2ª Secretária: Jania Milanesa; Conselho Fiscal Efetivo: Edilmar Leite, Marcos Fantecele, Judismar Roque Arpini

Uma doença que precisa de ajuda

Para manter a Fazenda Solidariedade, a unidade conta com contribuições da sociedade e está com recém convênio assinado com o Governo do Estado, que custeia com R$ 33 a diária dos integrantes encaminhados à instituição, pelo Estado. Somente os encaminhados pelo Governo, possui este convênio.

Com gastos de alimentação, medicamentos, funcionários e todos os complementos que amparam os internos, a receita é insuficiente. O local que serve para salvar vidas, erguer famílias, precisa da ajuda da população, para garantir continuidade, já que a dependência química é uma questão de saúde, sendo uma doença que acomete a maioria dos lares brasileiros e do mundo.

A direção da unidade pede auxílio da comunidade, para ajudar através de contribuição mensal, podendo ser um carnê com qualquer valor ou depósito bancário. “Todas as nossas contas estão disponíveis para qualquer pessoa verificar a veracidade. Fazemos um apelo a população, que ajude este local, da mesma forma que já ajudam tantas outras entidades. Essa unidade não tem dono, ela é destinada a quem precisa, que são as famílias que estão passando por esta dor, de ter um parente precisando de tratamendo”, diz a direção.

Banestes
Conta: 19269968
Agência: 0129
Para doação através de carnê, entrar em contato: (27) 99958-7810

» Fazenda Solidariedade tem direção atuante e pede a população que contribua com a unidade

 

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