Secretaria da Saúde faz balanço das ações de contenção do surto de malária em Vila Pavão e Barra de São Francisco

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Foto: Pedro Dutra/Secom-ES

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) segue com as ações de controle e combate ao surto de malária no Noroeste do Espírito Santo. As medidas adotas pela Sesa em conjunto com as equipes de saúde municipais visam, principalmente, ao diagnóstico e ao tratamento precoce das pessoas infectadas, bem como ao combate ao mosquito Anopheles, que transmite a doença.

Em entrevista coletiva concedida no final da manhã desta sexta-feira (10), o secretário de Estado da Saúde, Ricardo de Oliveira, ressaltou que os casos confirmados continuam concentrados em Vila Pavão e Barra de São Francisco, e que não há casos de malária causados pelo Plasmodium falciparum (que gerou o surto) fora desses municípios.

Oliveira enfatizou, ainda, que as medidas de contenção adotadas pela Sesa e pelos municípios já estão provocando uma redução no número de casos novos de malária e nenhum outro óbito nem casos graves da doença foram registrados depois que os trabalhos foram iniciados. O secretário esclareceu que o mosquito Anopheles não é urbano, como o Aedes aegypti. O transmissor da malária vive em área silvestre e, por isso, é pequena a possibilidade de haver casos da doença fora da região onde acontece o surto.

“O surto está circunscrito aos municípios de Vila Pavão e Barra de São Francisco, e não é no centro urbano, é no interior. Nós acionamos as vigilâncias em saúde de todo o Estado para que fiquem atentas a pessoas que procurem os serviços de saúde com sintomas semelhantes aos de malária, mas esta é uma medida padrão, que precisa ser feita como prevenção”, detalhou Oliveira.

A gerente estadual de Vigilância em Saúde, Gilsa Rodrigues, informou que está sendo feito exame em pessoas que não manifestam sintomas ainda, mas que tiveram contato com quem adoeceu. “Isso é agir muito precocemente. Nós estamos detectando e tratando a população antes que ela adoeça”, destacou.

A Sesa recebeu, na manhã desta sexta-feira (10), 20 kits com 500 testes rápidos de malária. Mais uma remessa de medicamentos também deve chegar ao Estado neste sábado (11) enviada pelo Ministério da Saúde. Será enviada pelo governo federal uma quantidade de comprimidos para tratar 350 pacientes. Até o momento, foi levado para Vila Pavão um total de 3.390 comprimidos e 1.199 frascos de medicamentos injetáveis.

Ações

Assim que foi notificada sobre a ocorrência de malária em Vila Pavão, a Secretaria de Estado da Saúde enviou uma equipe para o município para dar apoio à equipe de sua superintendência regional e aos municípios envolvidos nas ações de controle e combate ao surto. Confira ponto a ponto o que foi feito e o que está em andamento:

– Está sendo feita busca ativa de pessoas com sintomas de malária em Vila Pavão e em territórios do entorno, bem como entre pessoas que tiveram contato com moradores ou visitantes da região que adoeceram;

– Foi realizada capacitação das equipes da Atenção Primária à Saúde para diagnóstico precoce e tratamento da doença e também para realização de bloqueio com borrifação de inseticida casa a casa e na área perifocal;

– Foi feita orientação aos profissionais e investigação de casos no Hospital Estadual Alceu Melgaço Filho, em Barra de São Francisco, e no Hospital São Marcos, em Nova Venécia;

– Uma equipe do Núcleo de Entomologia e Malacologia (Nemes) da Sesa está realizando captura de mosquitos para identificar se a espécie de Anopheles presente na região é melhor ou pior transmissora do parasita e também para conhecer os hábitos do mosquito, o que fornecerá informações para realização do bloqueio de maneira mais efetiva;

– Está sendo realizada análise laboratorial para diagnóstico da doença.

– Tratamento. Nesta quinta-feira (09), a Sesa levou para Vila Pavão mais 350 comprimidos enviados pelo Ministério da Saúde para tratar os pacientes com diagnóstico positivo de malária. No último sábado (04), a Sesa entregou outros 3.040 comprimidos e 1.199 frascos de medicamentos injetáveis enviados pelo governo federal;

– Envio de 660 cargas de inseticida para Vila Pavão, para combater o mosquito que transmite a malária. Cada carga tem 250 gramas do produto e dá para fazer a aplicação em uma residência;

– Distribuição de repelentes: 6.300 frascos levados para Vila Pavão. Destes, pelo menos 3.300 já foram distribuídos para a população da região do surto;

– Monitoramento e investigação dos casos para avaliar a forma como a doença está se desencadeando na região. Além de 25 profissionais da Sesa, dois médicos e pesquisadores da Ufes especialistas em malária acompanham diretamente os trabalhos na região onde o surto está concentrado;

– A Sesa buscou o apoio de médicos e pesquisadores especialistas em malária para ouvir a avaliação e as orientações deles sobre as ações que estão sendo desenvolvidas na região do surto.

Orientações

A malária pode evoluir para forma grave e até para óbito, mas a doença tem cura se for tratada em tempo oportuno e adequadamente. Por isso, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) recomenda que os serviços de saúde de todo o estado fiquem atentos a pacientes que busquem atendimento apresentando sintomas indicativos de malária. A doença começa com febre e fraqueza e se desenvolve com dor de cabeça, dor no corpo, calafrios, acompanhados por dor abdominal, dor nas costas, tontura, náuseas e vômitos.

Nestes casos, os profissionais de saúde devem questionar o paciente se ele esteve no município de Vila Pavão recentemente (ou em alguma área de transmissão da doença) ou se entrou em contato com alguém que reside ou que esteve na localidade. Para a população, a orientação é buscar atendimento imediatamente se começar a apresentar um destes sintomas.

Os sintomas da malária não aparecem de imediato. Eles surgem depois de transcorrido o período de incubação, que é o tempo compreendido entre a penetração do parasita no organismo e o aparecimento dos primeiros sintomas – o que pode levar de 7 a 14 dias, em média, podendo chegar até 60 dias. Após esse período, a pessoa começa a sentir os sintomas. O período do tratamento dura de dois a sete dias.

Não há vacina contra malária, mas existem várias medidas de proteção individual que podem ser adotadas pela população para reduzir a possibilidade da picada do mosquito transmissor da doença, como usar repelente; usar cortinados e mosquiteiros; usar telas em portas e janelas; evitar frequentar locais próximos a criadouros naturais de mosquitos, como beira de rio ou áreas alagadas ao final da tarde até o amanhecer; usar calças e camisas de mangas compridas e cores claras.

O surto de malária presente em Vila Pavão e em Barra de São Francisco está sendo causado pelo Plasmodium falciparum, uma espécie mais agressiva do que as demais e que não é encontrada no Espírito Santo. Por isso, a hipótese mais provável considerada pelos profissionais envolvidos na investigação é de que os casos tenham sido originados a partir de um caso importado, possivelmente do Norte do país, onde a malária é endêmica. No Brasil, de forma geral, o Plasmodium vivax é o causador mais comum da malária.

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