Trabalhos diferentes

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Para quem busca alternativas e produtos diferenciados, a reportagem traz trabalhos cheios de cultura e regionalidade. Ah! Tem também uma técnica que pode deixar móveis da casa com a sua cara. Confira!


Os brasileiros têm um verdadeiro caso de amor com tudo que é produzido de forma manual. O artesanato serviu até mesmo como ponto de partida na história do País.

Mesmo com a chegada da tecnologia, o universo artesanal tem demonstrado que nunca sai de moda, tendo uma pegada harmônica cultural.

Fabricar artesanato é vivenciar a simbologia e manifestações entranhadas na população, desde seus primórdios.

Conseguir transformar o cipó que estava lá plantado na mata, em um cesto, é preciso muita habilidade. Nas mãos da Leonora Pereira Damasceno, 56 anos, a planta vira arte, que representa o interior veneciano.

A dona Zilda Ramos Dalvit, 52, tira do brejo, o ofício que aprendeu há anos. Da fibra da taboa, saem baús e até bolsas, tudo de forma perfeita e harmônica.

Já a Schaira Coelho Santana decidiu tirar sua fonte de renda do artesanato feito em telhas de barro. A arte sacra é o carro-chefe da moradora de Nova Venécia, que também abre espaço para a preferência do cliente.

Mesmo não fazendo parte do artesanato, mas sendo uma ofício manual, a reportagem decidiu incluir o trabalho do Renato Martins Sirqueira, 42, na página, pela originalidade e também por se tratar de algo que pode ser reciclado, ao invés de ir para o lixo. Trata-se da adesivagem de geladeira e qualquer móvel de casa.

A Notícia entrevistou desta vez, essa gente que, de uma palha, faz um objeto de grande utilidade.


O cipó que vira utilidade

Mesmo com as mãos calejadas pelo manuseio do cipó, a dona Leonora é uma das representantes venecianas, no trabalho de cestaria feito à partir da planta. Neta de índio, a moradora do Poção, interior de Nova Venécia, traz na herança cultural, a arte que aprendeu com o pai e virou característica familiar.

Antes de começar a dar formas as obras, é o marido que vai para o mato buscar a corda de ramos longos, já pouco encontrada na região, devido ao desmatamento e seca.

O terreiro de casa é o ateliê da remanescente indígena, que pouco se importa com um local ideal para produzir cada peça. O negócio da artesã é colocar a mão na massa, e transformar o que vem do mato, em objetos de decoração e de utilidades diversas.

Antes de dar formas as peças, o trabalho de limpar o cipó, é um dos mais desgastantes e, é o que forma os calos em suas mãos. Com isso, ela já se acostumou.

Com extrema perfeição e capricho, dona Leonora começa a laçar e trançar o cipó, até que a planta desajeitada, se transforme em uma fruteira. Cestos de roupa de vários tamanhos e caixas, também são confeccionados pela moradora do Poção. “Desde pequena trabalho com o cipó, é coisa de família. Só há 10 anos fiz um curso, foi o primeiro. Nossos produtos foram levados para feiras na capital e muito bem vendidos. Muita gente gosta, acham chique”, conta.

Os preços do artesanato da dona Leonora vão de R$ 2 a R$ 80. Local de vendas, Restaurante Sabores da Terra ou 99650-2653.

Leonora é descendente de índio e aprendeu produzir cestaria de cipó com o pai

Telhas sacras

O trabalho da Schaira Coelho Santana traduz a religiosidade que Nova Venécia carrega em sua população. A telha é a matéria-prima utilizada para dar formas a arte sacra da estudante.

Pensando em uma fonte de renda, a artesã resolveu fazer um curso, e hoje, as imagens religiosas estão estampadas em seus trabalhos.

Massa corrida, linha, bijuteria e mais outros itens são os objetos que ajudam a dar vida a sua arte, que também tem o biscuit como apoio na montagem das telhas. “Tenho recebido encomendas. A pessoa escolhe do jeito que prefere e depois, é comigo. Faço com muito carinho e meu trabalho faz parte do cotidiano do cliente”, diz.

Outros produtos que a Schaira faz, são garrafas temáticas produzidas com linha, porta lata e de garrafa de cerveja. Encomenda pelo telefone 99966-6670 (R$ 20 a R$ 60).

Nossa Senhora reproduzida na telha

Do brejo

Resistente e altamente ecológica, a fibra da taboa é utilizada no artesanato veneciano também. Moradora do Córrego da Areia, a dona Zilda, é uma das representantes da produção de objetos, confeccionados a partir da planta. Como tudo que é manual, até chegar ao produto final, é uma espécie de força tarefa. Uma planta típica do brejo, é preciso ter atenção com o barro no fundo da lagoa e a profundidade, que ultrapassa dois metros em alguns pontos, na hora da retirada da taboa. A parte da planta que é usada para o artesanato fica submersa, e tudo isso, é com a dona Zilda quem faz.

Seguindo o processo, é a vez planta secar por três dias no sol, mais 10 na sombra e só após, inicia o momento da transformação.

Com tudo preparado, a técnica e o talento vão se unindo ao trançado, que vem seguido de costura, poda e colagem. Cola, linha, agulha de sacaria, sisal e tesoura, são alguns dos itens necessários na hora de compor os vasos, garrafas, cestos e o que mais a imaginação mandar. “Há uns seis anos trabalho com isso e infelizmente, não dão muito valor por aqui. Conseguimos vender nosso artesanato, quando foi levado para feiras em Vitória. Me dá prazer de ver tudo pronto, é bonito. É obra da gente”, diz Zilda.

O visual rústico obtido pelo trançado da fibra de taboa é um dos elementos que torna esse trabalho tão diferenciado. Entre os produtos, dona Zilda tem também esteiras prontas. Tudo é feito da planta aquática, sendo preciso mais ou menos, cinco plantas para fazer uma bolsa, por exemplo.

Para comprar o artesanato da dona Zilda ou fazer encomendas: Loja Agrovida, no Restaurante Sabores da Terra ou através do telefone 99978-9901.

A fibra da taboa é transformada em peças de decoração

Sem desperdício

Transformar móveis e eletrodomésticos em verdadeiras obras de arte. Isso que o Renato faz. Aquela geladeira enferrujada, que não está mais com aparência desejada, pode ficar nova nas mãos do adesivador.

Com poucas horas ou um dia de serviço, o Renato vai até a casa do cliente e dá nova cara aquele fogão que não estava mais combinando com os armários da cozinha.

Protegendo o produto 100%, sendo impermeável e durando mais de cinco anos, o envelopamento é o queridinho do momento. Antes da transformação, ferrugem é removida do móvel e, ao contrário da pintura, a opção não deixa a corrosão voltar. “Fica novo. Muita gente pergunta se pode retirar o adesivo depois. Pode tanto tirar, quanto colocar outro. Esta técnica não danifica o local onde foi aplicada e mantém o produto novo”, fala.

As cores e imagens em cada peça, vão de acordo com a preferência de cada um. Segundo Renato, o trabalho só começa a ser feito, depois de tudo aprovado. “Os adesivos são os mais diferentes possíveis, têm para todos os gostos, é só escolher. São resistentes a temperatura e com durabilidade avançada”, fala.

Os preços vão de R$ 190 a R$ 250 e os adesivos de time são os mais cobiçados. “É um trabalho manual que requer atenção e paciência. Se a geladeira estiver danifica ou enferrujada, por exemplo, faço o serviço antes de aplicar o adesivo. Tenho técnicas que garantem o adesivo em perfeito estado por muitos anos”, conta.

Para entrar em contato com o Renato: 99232-4341.

Geladeira e fogão ganham novo visual
com a técnica
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