Veneciana é a primeira autista aprovada no Ifes

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Isabela Milanez Amorim, 17 anos, estudava em escola pública e só aprendeu a ler, depois que teve o direito a ter uma professora especialista ao seu lado. Hoje, a Lucineia Leite, profissional especialista dela, e sua mãe, Jeseliany Milanez, estão transbordando de felicidade pelo aprovação da menina. Afinal, agora Isabela é #federal

Muito perto de chegar o Natal, a Isabela Milanez Amorim, 17 anos, recebeu um grande presente e uma das melhores notícias de sua vida: foi aprovada no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes-Nova Venécia). A aprovação não veio sozinha, a estudante ficou em primeiro lugar na modalidade destinada a deficientes, para o curso de Mineração, sendo a única autista a ingressar na unidade federal até hoje.

A conquista encheu de orgulho os pais, Lindolfo de Amorim, 51, e Jeseliany Milanez, 43, que acompanham a evolução da filha. “Fizemos muita festa, eu não esperava por esta colocação tão significante. Vejo no olhar dela a felicidade, por onde ela passa, conta que passou no Ifes”, conta a mãe.

Estudante do 9° ano na Escola Municipal de Ensino Fundamental Stanislaw Zucoloto, a Isabela é acompanhada pela professora especialista, Lucineia Leite, mais conhecida como Neinha, que diz não ter ficado surpresa com a divulgação do primeiro lugar da aluna. “Ela é inteligente, tem potencial e muita capacidade, fiquei muito feliz, sempre acreditei nela. A Isabela precisa de constante intervenção para levá-la a compreender, como a maioria dos autistas”, fala Neinha.

A comemoração na escola que a Isabela estuda foi grande, e traduziu o resultado de vários profissionais da escola pública, é o que revela a professora Neinha. “Isabela se identifica muito com as matérias de artes e matemática. O ingresso dela no Ifes é um trabalho de vários profissionais da educação juntos. Esta menina tem futuro, vai longe”, diz.
Antes de estudar na EMEF Stanislaw Zucoloto, Isabela foi aluna da também unidade municipal, EMEIEF Lourdes Scardini.

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A descoberta do autismo

A mãe da Isabela notou que tinha algo errado com a filha, depois que a menina completou dois anos. Com o tempo, a Jeseliany procurou um profissional e aos cinco anos, a criança foi diagnosticada com problemas de audição. A partir daí, um longo tratamento começou, e a menina chegou até a usar aparelho. Sem melhoras, a família nunca suspeitou de que poderia ser o transtorno.

Somente aos 10 anos, Isabela foi diagnosticada com autismo. A descoberta do transtorno chegou de forma bastante assustadora. “Eu nuca tinha ouvido falar sobre o transtorno, quando a neurologista confirmou que minha filha era portadora, fiquei sem chão, além de ser tudo novo, era algo desconhecido para mim”, diz a mãe.

Foi a partir daí que Jeseliany começou a ler sobre o assunto e ter esclarecimentos de profissionais. “Pude procurar os direitos que ela tem, o diagnóstico veio para me ensinar a viver de acordo com o mundo dela”, fala.

Isabela também só foi alfabetizada a partir dos 10 anos. Com o diagnóstico e laudo, a menina passou a ter o direito ao professor especialista, o que fez toda a diferença em sua educação. Além do empenho e vontade de aprender da Isabela, a educação especial foi essencial e importante para a aprovação. A Jeseliany tem outra filha de 26 anos, que já é arquiteta e agora, começa a traçar novos rumos junto com a sua caçula. “É uma nova fase. O transporte municipal quem conduzia a Isabela até a escola, ela não vai sozinha. Não sei como vai ser, mas a certeza tenho, ficar sem estudar ela não vai. Ao contrário, daqui uns anos estará formada”, fala.

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Secretaria de Educação

A Secretaria Municipal de Educação dispõe de educadores especiais em todo município. O secretário de Educação, em entrevista ao Jornal A Notícia, comemorou a aprovação da Isabela e afirmou que a Secretaria disponibiliza recursos para alunos especiais. “Temos salas de recursos, atendimento no contraturno e professor regente, estagiário ou um especialistas em nossas salas de aula. A educação especial para nós é primordial”, diz.

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